quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Ao gosto dos Anjos

Olhos cansados. Vista fraca.
Vontade de esgueirar-se na primeira parede que aparecer.
Arrastar pelo chão de concreto um corpo semi-moribundo
apodrecido pela fadiga cotidiana.
Chuva ácida na roupa fétida da semana inteira.
Água barrenta que, ao invés de pingar, cospe.
Pele oleosa. Rosto ensebado.
Lágrimas furtacor no semblante cinza costumeiro.
Engolir hectares de terras universitárias alagadas
digerir ondas eletromagnéticas de verborreia Mestre em Ciências
vomitar meio litro de simpatia
expelir léguas de puro tédio
e gozar ao nada.

Gozar quente...
Jatos de gozo
ao nada.

Lamber o líquido fluído da membrana
tirar o excesso com a mão
apontar os pés para a calçada
e morrer.

3 comentários:

Carlos Eduardo Mélo disse...

CRUAMENTE PERFEITA.

Dos Anjos lhe sorri com uma obra desse porte.

Fernando disse...

Augusto dos Anjos andou visitando-a ultimamente ? ( pergunta-resposta )

Essas faces escondidas aparecem aos poucos.

Grande beijo

Gabriel Pinto disse...

Que forte!