terça-feira, 1 de setembro de 2009

Quando eu era mais nova, com uns 6 ou 7 anos, ganhei um CD infantil de brinde que vinha com algum produto de uma farmácia.

Nesse CD, tinha a música Caderno, do Chico.
Quando eu a ouvi pela primeira vez (lembro que deitada no chão da sala, com os pés em cima da poltrona), achei a música muito bonita, e cheguei a chorar algumas vezes em que a ouvia. Acho que até então não conhecia Chico...

Depois, coloquei a música pra tocar muitas vezes seguidas, e sempre associei o "Sou eu que vou seguir você/ Do primeiro rabisco até o bê-a-bá" a figura de um pai, e não a de um caderno, apesar da música se chamar Caderno.

Até hoje, quando a ouço, imagino meu pai ao meu lado, acompanhando minha mão enquanto seguro um giz de cera vermelho e desenho numa folha branca.

Porém, este pai não é somente figurado na imagem de meu pai biológico. Este pai desdobra-se em outras tantas imagens...

Posso visualizar um amigo que não vejo há muito tempo; posso imaginar estar na presença de um parente distante; posso pensar que estou com Chico. Posso pensar, imaginar, sonhar... Simplesmente posso: sou l i v r e .

Isto é um dos motivos pelo qual sinto-me muito bem ao ouvir músicas.

Fecho os olhos para cada som que passa por meus ouvidos: um passarinho que anuncia a manhã no jardim de minha faculdade me eleva; o som do ônibus chegando faz-me sentir mais perto de casa; o ruído que faz o beijo me traz lembranças...

A música é para a alma
o que a poesia é para mim: muito do que sou, e outro tanto que indica para onde vou.


3 comentários:

Fernando disse...

Somos livres. :)

Beijo

b-kaixao disse...

Poeticamente livres Oo


Beijo, Nêga!

Fernando disse...

Breno adora filosofar.