sábado, 23 de junho de 2012

Sutil

Eu
eu sou o micróbio da calçada
a gota de orvalho da árvore mais feia
que ninguém viu cair
eu sou a peça extra do quebra-cabeça
o sapato menor que o pé
o casaco que não esquenta
o bispo apostólico sem fé
eu sou a chuva dos desabrigados
o poste de luz queimado
o pulmão dos afogados
o breu do salão de festas
o bandido que não morreu
sou eu
e você
você era minha metade
quem prestava real atenção
quem me deu a mão
o chão
o coração
e tudo o que era eu, se foi
e tudo que comecei a ser, era você
e nesse embalo eu fui, rodopiando, sem pausa
mas você, que dúvida... não faz parte da dança
a música está parando
desligaram as luzes
voltou a fazer frio
e aquele amor, aquele desejo
foi pra p......



2 comentários:

Sr. Reticente disse...

eu te leio pensando em música...

;o)

Antônio Sozinho disse...

Que azedo!