sábado, 3 de maio de 2008

Ponto inicial urbano

A poesia estende-me o braço com ódio e piedade
(que sentimentos tão distintos ela possui...).
Com seus grandes olhos fixos, percorre meu corpo à procura de um sinal que indique ou confirme algo que ainda não compreendi.
Ah, de tão melancólica e sozinha, não olha em meus olhos, jamais. Tem medo de encarar-me. Tal qual um cão abandonado, encosta sua cabeça em mim à procura de algo, um não sei o que cheio de mistério.
Depois de percorrer-me como a um livro suas linhas, me chuta, me maltrata, me bate, cospe em meu rosto, vomita em meu ser todo o ódio que nela existe.
Ao admirar o que fez, toma-me em seus alvos braços piedosos e conduz-me de volta à inércia, ao ponto inicial urbano, a linha de partida moribunda e cotidiana.
Se não fosse a poesia para salvar-me dessa invalidez diária
Apresentada sobre o nome de "rotina" e "consentimento",
O que seria de mim? O que seria da alma que vive dentro desse corpo cansado?

(Ah, a poesia me faz viver!)

Um comentário:

ivanespaulo disse...

Ah, essa poesia, hein??!
Realmente, sem ela somos apenas humanos de carne e osso.

bjus