sábado, 18 de julho de 2009

Olhos cinzas

O inverno escancara seus olhos cinzas em minha janela de vidro.
Mãos geladas causam arrepio no corpo quente sob o cobertor de lã.
Uma canção muda toca ao longe...
Nem me lembro mais aonde estou, se deste ou daquele lado da cama.
Se me esparramo por entre os lençóis, é porque não lhe tenho ao lado para que me censures.
Então me calo.
Surda para não ouvir seus passos em direção a porta.
Muda para não ousar pronunciar seu nome.
Cega de amor...
Arranhada até o fim da alma por um não sei o que de saudade e ausência que me arde...
O inverso ainda me encara pela janela de vidro.

Um comentário:

Fernando disse...

Fazer 2 textos em um só dia: isso sim é que é poeta !