quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Mastigada

Cheguei na sala de jantar,
um banquete me esperava.
Tamanha fome eu tinha!
Minha boca salivava.

Pretendia me fartar
e matar a minha fome.
Havia comidas boas
e outras que eu não
sabia o nome.

Num gesto maquinário
comi de tudo, não escolhia.
Do salgado ao doce,
minha boca ardia.

Quando já satisfeita
parei para a digestão,
percebi que comi
com o estômago, sem o coração.

Lembrei assim de algo,
lembrei de um alguém agora,
que também tinha o hábito de comer
e tão logo ir embora.

Ele comia, se fartava,
e tão rapidamente
Outro banquete desejava.

Cansava de lhe banquetear,
exauria-me lhe safisfazer.
Quatro vezes por dia,
todas para ele comer.

Sim, ele foi embora,
sinto falta de lhe preparar
um banquete especial,
algo bom para ele jantar.

Mas pude perceber
que meu banquete
tinha mais um pouquinho.
Era como eu sabia fazer:
tinha amor e carinho.

Este alguém que comia
trocou meu banquete
por outro qualquer.
Preferiu o doce veneno,
mais fácil,
das mãos de outra mulher.

Que pena! Não fiz nada errado.
Quem está satisfeita sou eu.
O que é um bife mal passado
perto de um amor que nem o meu?
E que não é mais seu...

4 comentários:

Claire disse...

nossa brilhante!!!!!!!!!!!!



anatomiadopensar.blogspot.com

P. Frassinetti disse...

ele merece uma boa de uma má digestão!

Breno Peres disse...

Fico com Frassinetti huhuhuhu... Beijão, Nêga.

Fernando disse...

Incrível.

Tenho que aprender a escrever para comentar nesse texto.

beijo