sábado, 7 de novembro de 2009

Tarde com meu pai

Os cabelos quase brancos de meu pai
desafiam minha molecagem...
Impõe respeito por ser ele mesmo,
meu pai, ele é quem é.
Numa tarde, ao som de Beto Guedes,
o parrudo homem de 50 e poucos anos
está sentado na varanda de casa.
O sol ilumina sua pele branquíssima
da descendência polonesa.
Seus olhos azuis tem a capacidade
de brilhar como dois diamantes.
Este meu velho pai, tão querido,
tão temido e imponente
de repente
lembra de amores antigos
das músicas que lembram amores antigos
das frases das músicas que lembram amores antigos.
Não há possibilidade de não sentir o ímpeto
de abraçá-lo
enquanto conta ao vento
sobre a moça que ele amava
que era casada
e que sem ninguém saber
eles se amavam mesmo assim.
O homem que é cérebro e ordens
abre o coração
sem saber que este mesmo coração
sempre esteve consigo...

- Deita, meu pai, no meu colo.
Deita... que hoje eu velo seu sono.

Um comentário:

Fernando disse...

e eu já nem tenho o meu.

beijo