segunda-feira, 3 de maio de 2010

reclame

torna a nascer o dia
outra vez esse sol
outra vez esses passos
a mesma calçada
as mesmas pessoas
o atraso também é o mesmo
e as mesmas piadas
a mesma ventania
a mesma pedida
o mesmo dinheiro na carteira
a mesma dívida
aquela mesma saudade do nada
a mesma apatia de tudo
e são as mesmas placas
e os mesmos avisos

daí vem uma merda de um poema
te falar que não
que a vida não é essa merda
que a gente vê na rua

vem te convencer que poeta é isso ai
acorda tarde pra fumar
não tem que trabalhar
e todo mundo diz amén
pras coisas que ele diz

daí você escreve um poema
ridículo
e vive pra sempre
na marginalidade
dos livros.

3 comentários:

Gabriel Pinto disse...

às vezes só sobra a marginalidade de um blog...

Breno Peres disse...

Preciso escrever algo contigo novamente. Só assim pra eu ter algo que preste.

Beijo.

Antônio Sozinho disse...

who wants to live forever?