segunda-feira, 21 de julho de 2008

Vestibular

Sento-me na última carteira da sala.
Mais pessoas deitam-se na mesma vala.
Lápis, caneta, borracha.
A monitora observa os ponteiros.
Fecha a porta, trememos por inteiro.
Lápis, caneta, borracha.
Não é permitido o uso de aparelho eletrônico algum.
Na minha frente, desmaiou mais um.
Lápis, caneta, borracha.
Ela entrega as provas em branco.
Dá a folha de gabaritos, volta a seu banco.
Lápis, caneta, borracha.
Acho que estou com medo.
Mas não quero desistir tão cedo.
Lápis, caneta, borracha.
Estão testando-me sem piedade.
E eu ainda estou na flor da idade.
Lápis, caneta, borracha.
Sinto meu coração pulando.
Consigo sentir que estou errando.
Lápis, caneta, borracha.
Não há mais tempo para pensar.
Já está na hora da prova eu entregar.
Lápis, caneta, borracha.
Será que rendi belos frutos
À todos que me olham com sorrisos brutos?
Lápis, caneta, borracha.

Um dia o mundo cansará de falar
Neste tal assustador vestibular.

Um comentário:

Gabriel Pinto disse...

Deus queira que o mundo se canse...