quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Fabiano

Fabiano, você é um bicho
Mistura de sertão e destino
Palavra desfeita no chão
Que arranha a garganta, opressão

Fabiano, você é um veterano
A penúria lhe queima o couro
No sol do meio dia em que caminha
Foge de suas mãos o pouco que lhe resta


Fabiano, você é apressado
Escapa da morte à surdina
Corre pelo chão quente da caatinga
Com esperanças de viver mais um dia


Fabiano, você é o pó vermelho
Que entra pela casa anunciando a seca
Que deixa rastro de morte na fazenda
Por onde entorna o vazio e o silêncio sem piedade

Fabiano, você não é homem
Não é pessoa, não é dono de nada
É apenas mais um sertanejo
Fugindo eternamente do soldado amarelo

2 comentários:

Daniela Patrício disse...

Esse é realmente um livro marcante! merecedor de mtas belas e fortes poesias...como essa!!

beijos

Flavia disse...

me belisca!
esse genio é minha amiga!

bjoss